Assistentes virtuais vão muito além de smartphones e caixas acústicas

Por Simon Bryant*

O mercado mundial de assistentes virtuais (VAs) continua em forte expansão, já ultrapassando as fronteiras dos smartphones e das caixas acústicas smart. Com crescimento de 20% em 2018, atingindo a incrível marca de 860 milhões de unidades vendidas, tem tudo para chegar a 2,3 bilhões em 2023, de acordo com estimativas da Futuresource Consulting.

O principal território atualmente é a Ásia, com fabricantes chineses como Alibaba e Baidu conquistando fatias de mercado substanciais. Ao mesmo tempo, Amazon, Apple, Google e Microsoft já se estabeleceram em outras regiões, e a partir de agora começam a oferecer suporte a idiomas diferentes do inglês, o que fará aumentar ainda mais seu market-share.

O território que chamamos EMEA (Europa, África e Oriente Médio) é um caso notável, com populações que demanda assistentes virtuais falando uma infinidade de idiomas e oferecendo recursos diversos.

Analisando as plataformas, observamos que na primeira metade de 2019 o DuerOS, sistema operacional da Baidu, foi a que apresentou maior crescimento, subindo de 12% para 21% das vendas mundiais. Com isso, igualou-se ao Cortana, da Microsoft, já incorporado à maioria dos computadores que utilizam Windows 10.

Já o assistente Siri, da Apple, manteve 32% de share, refletindo as ótimas vendas do iPhone, iPad e Airpods. Curiosamente, Google Assistant e Amazon Alexa ficaram com apenas 8% e 4%, respectivamente, embora aumentando sua penetração em dispositivos Android.

Uma decisão crucial para as marcas de assistentes virtuais é focar nos seus produtos próprios, essencialmente caixas acústicas sem fio (smart speakers), ou em estratégias de parceria com fabricantes tradicionais de equipamentos.       A escolha depende da aplicação e também da possibilidade de obter valor com o uso dos dados coletados a partir dos VAs embutidos em outros aparelhos.

A maioria dos fornecedores de assistentes virtuais por enquanto vem optando pelas parcerias, em que TVs, soundbars e outros dispositivos podem ser comandados por voz ao agregarem um assistente. A grande vantagem para fabricantes de hardware é poderem participar desse ecossistema sem ter que investir em Inteligência Artificial (AI) nem tecnologias de nuvem (cloud).

Itens de automação devem crescer 37%

Para além dos smartphones e das caixas smart, segmentos como automação residencial e veículos são hoje os de maior potencial para os assistentes virtuais. A Futuresource prevê que o mercado mundial de áudio, incluindo fones, terá crescimento expressivo nos próximos anos, saindo de US$ 27.8 bilhões em 2018 para US$ 32 bilhões em 2023.

Os VAs terão rápida penetração nesses segmentos, devido à redução nos custos e à melhor percepção dos benefícios por parte dos usuários; o recurso de cancelamento de ruído, por exemplo, já é o segundo mais adotado.

Já na categoria smart home, com 100 milhões de dispositivos vendidos em 2018, a Futuresource estima um volume total de 137 milhões para 2019. No entanto, esse vigoroso crescimento não podetrá ser sustentado. Os próximos anos serão de desaceleração em toda a cadeia de automação residencial.

Ainda assim, ao analisarmos as sub-categorias em que se divide esse setor, verificamos que algumas têm melhores perspectivas, casos dos sistemas inteligentes de gerenciamento de energia, fechaduras eletrônicas e vídeo-porteiros.

Apesar da tendência geral, o segmento smart home continuará crescendo mais do que a maioria dos demais dentro do mercado de eletrônicos de consumo. Nossa previsão é de aumento médio em torno de 22% ao ano entre 2019 e 2023. Mercados mais maduros, como América do Norte, devem crescer menos (13% por ano), enquanto na Europa Oriental é esperado algo como 30%. A China crescerá um pouco menos: 26%.

*O autor é pesquisador da Futuresource Consulting, especializado no setor de eletrônicos. Para mais detalhes, visite www.futuresource-consulting.com.

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