
Ainda não há dados conclusivos sobre vendas de TVs no primeiro semestre, impulsionadas pela Copa do Mundo. Mas todos os indicadores apontam para o crescimento dos modelos de maior porte (acima de 65”). Embora os maiores volumes continuem sendo na faixa de 55”, as tendências são de que o consumidor prioriza o tamanho das telas na hora de trocar de TV.

Nesse sentido, a Copa pode ser encarada como um ponto de virada, especialmente em países como Brasil, México, Argentina e Japão, onde o futebol é um grande atrativo. No Brasil, os próprios fabricantes divulgaram dados que confirmam a preferência pelas telas maiores. A LG, por exemplo, informou:
Vendas de TVs a partir de 75” cresceram 94% no primeiro trimestre, comparadas com o mesmo período de 2025.
Segundo a consultoria inglesa Omdia, com base em informações da indústria, durante o período pré-Copa aumentou a procura por TVs MiniLED, OLED e QLED, geralmente de tamanhos maiores. Além da melhor qualidade de imagem, o que mais atrai os consumidores é a possibilidade de ampliar as opções de entretenimento com a família e os amigos, requisito essencial em eventos como a Copa (aqui, alguns modelos).

Para a Omdia, tamanhos de 75” e 85” estão deixando de ser “de nicho”, passando a entrar no consumo considerado de massa – no Brasil, ainda é cedo para se afirmar isso. O segmento de TVs em geral produziu 208,7 milhões de unidades em 2025, segundo a consultoria, com estimativa de 210 milhões para 2026. No primeiro trimestre, foram 50,3 milhões, um aumento de 6% sobre o ano anterior.
A questão é que produzir TVs hoje já não é um negócio tão lucrativo quanto era dez anos atrás. Embora não haja dados oficiais a respeito, muitos analistas acreditam que:
Devido à forte concorrência de preço, alguns fabricantes estejam vendendo TVs de até 55” sem lucro.
Os dados da Omdia permitem concluir que aproximadamente 80% das vendas hoje sejam de TVs abaixo de 75”. Mas acima dessa faixa é que as margens dos fabricantes começam a subir, tornando o negócio rentável. Cerca de 9 milhões de modelos de 80” ou maiores foram vendidos em 2025, representando menos de 5% do total. Mas foram eles que trouxeram mais lucros à indústria. A previsão é de que até 2029 esse total suba para 13 milhões.

A maioria dos fabricantes não divulga dados de vendas, mas a TCL, por exemplo, informou em abril que 30,5% de suas vendas em 2025 foram de TVs de 65” ou maiores. Agora, vejam o que diz a Omdia sobre o crescimento por faixas de tamanho:
90” ou maiores: 57,4%
80” a 89”: 26,5%
75” a 79”: 12,3%
É aí, portanto, que está o maior crescimento do mercado mundial (provavelmente também no Brasil). Quase todos os fabricantes – e particularmente os chineses, que fornecem para empresas do mundo inteiro – têm lançado maior quantidade de telas grandes, confirmando que esse é um desejo do consumidor.

Nos últimos meses, Samsung, TCL, Hisense e LG lançaram modelos cada vez maiores: 98”, 100”, 110”, 115” e até 136”. As vendas, em unidades, certamente não foram muitas. Mas, além de trazerem mais lucro, representam uma importante vitrine tecnológica, para fixar a imagem das marcas como inovadoras e confiáveis.
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