
A notícia de que a OpenAI está para lançar uma caixa acústica sem fio trazendo recursos de IA Generativa (veja aqui) acendeu um alerta na indústria de áudio. Vários fabricantes já vêm desenvolvendo produtos nessa linha, mas a dona do ChatGPT conta com um trunfo precioso: seus incríveis avanços em softwares de linguagem avançada (LLM), que já podem ser inseridos em aparelhos de consumo popular como TVs, smartphones e caixas acústicas.
Os lançamentos do Alexa+ e do Google Home Speaker, em junho último, são os primeiros que apontam para essa tendência em escala mundial. A força das duas marcas tem tudo para transformar essa nova categoria de produto – smart speaker com IA – num sucesso tão grande ou até maior do que seus lançamentos anteriores. Pelo menos, é o que indicam especialistas com base em pesquisas de mercado.
O estudo mais recente saiu no início de agosto. A consultoria americana Parks Associates divulgou que metade das residências nos EUA já possuem pelo menos um dispositivo smart (caixa acústica ou display), sendo que 78% das vendas recentes foram de produtos com Alexa. “Smart speakers já podem ser consideradas como produtos de massa”, diz a presidente da consultoria, Elizabeth Parks. “O crescimento agora não virá mais do hardware, mas da inteligência”.
Segundo ela, o consumidor cada vez espera mais dos aparelhos que compra, e a indústria como um todo caminha na direção de criar experiências mais personalizadas através da IA (clique aqui para ver detalhes do estudo). O desafio, por enquanto, está em fazer caber mais recursos sem encarecer os produtos – e recursos que de fato o consumidor reconheça como úteis.
Quem vai pagar pela IA Generativa

No mercado americano, Google e Amazon já lançaram planos de acesso pago a serviços de IA Generativa, mas segundo reportagem do New York Times a aceitação ainda é muito baixa. O Google Home Speaker vem com um plano standard de 10 dólares por mês e um plano avançado por US$ 20 (com 6 meses iniciais grátis), dando acesso ao Gemini AI. Este é apresentado como uma versão “premium” do serviço grátis que aparece nas buscas do Google. Por enquanto, não há previsão de lançamento no Brasil.
O Alexa+ é oferecido gratuitamente nos EUA para quem já é assinante do Amazon Prime e custa US$ 20 mensais para outros interessados. No Brasil, é possível acessar uma versão “antecipada” do Alexa+, sem custo para quem já tem uma conta Prime; para outros, o custo é de R$ 99 por mês. Este é o link.
As duas empresas prometem entregar maravilhas junto com seus dispositivos, desde o controle de todas as luzes da casa até acesso a serviços de delivery, reservas para shows e restaurantes, roteiros de viagem etc., sempre em interações “naturais” do usuário com a caixa acústica. No entanto, o NYT testou vários desses recursos e publicou severas críticas a ambos (confira).
Dentro da caixa acústica, um agente de IA

Na visão da Park, que diz ter entrevistado usuários americanos por telefone, e-mail e WhatsApp, as smart speakers tendem a incorporar os chamados “agentes de IA”, capazes de acumular funções autônomas a partir de solicitações do usuário. Existe hoje uma infinidade deles, a maioria de uso empresarial; Alexa+ e Google Gemini AI são os mais conhecidos em nível consumer.
Embora a pesquisa cite apenas caixas acústicas, os agentes de IA começam a ser embarcados também em displays inteligentes, como os da linha Echo, da Amazon. E devem aparecer também nas futuras linhas de TVs e monitores de outras marcas.

Em muitas aplicações, os agentes de IA estão substituindo os chatbots comuns como Gemini, Copilot e ChatGPT. Enquanto estes funcionam simplesmente respondendo a perguntas (prompts), os agentes têm muito maior capacidade de processamento para entender contextos e situações comuns do dia.
Exemplo: se o usuário diz “quero ir a um restaurante italiano esta noite”, o agente pesquisa com base no histórico da pessoa, verifica a disponibilidade dos estabelecimentos em sua região e, se for o caso, já faz uma reserva.
Futuros dispositivos devem vir ainda com sensores para analisar cada ambiente da casa e realizar, por exemplo, ajustes de luz, temperatura ou persianas, seja a partir de uma ordem do usuário ou de forma automática, sem necessidade de comandos. Isso, é claro, se a residência tiver a necessária infraestrutura de automação.
Segundo a Parks, consumidores que já têm o hábito de usar caixinhas com Alexa e Google (50% dos americanos com acesso à internet, segundo a pesquisa) são inicialmente o público-alvo, com mais chance de serem atraídos para os agentes.
FONTES: Parks Associates, Google e Amazon
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