Escolha o cabo de caixa mais adequado ao seu sistema

Apesar de vivermos em uma era digital com diversos produtos sem fio, o principal elo entre equipamentos de áudio e vídeo ainda depende de uma conexão física. O cabo, seja ele HDMI ou de caixas acústicas, é o acessório responsável pelo funcionamento da “engrenagem” em toda a instalação de home theater. No caso de cabos analógicos, entusiastas de áudio high-end afirmam que modelos bem projetados podem ter impacto significativo no resultado final, revelando diferenças de tonalidade e detalhamento superior a outros mais simples desprovidos de qualidade.

Sistemas com equipamentos modulares, compostos por amplificador e pré-processador, ou receiver de bom desempenho, facilitam a maior percepção dessas nuances. Embora nem todas as pessoas tenham ouvidos apurados capazes de perceber os benefícios de cabos de caixa de alto padrão, é fato que muitos normalmente conseguem descobrir as influências do cabeamento após a substituição dos antigos com um upgrade, ou algum tempo depois de conhecer melhor a sua eletrônica e, principalmente, as caixas acústicas.

Mas será que cabos de alto padrão apresentam toda a superioridade condizente com o seu preço, muitas vezes custando mais de R$ 10 mil o metro? A resposta só mesmo os seus ouvidos poderão dizer, em casa ou em um show room devidamente preparado para uma reprodução musical, já que em estéreo também fica bem mais fácil diferenciar as características sônicas de cabos. Antes, é importante ficar atento a alguns critérios para a escolha e saber quando em muitos casos um modelo mais acessível pode dar conta do recado.

Espessura vs comprimento

Dentre as propriedades de um cabo de caixa, a resistência ôhmica é a mais importante, pois quando é alta permite que menos energia do amplificador passe para a bobina do alto-falante, resultando em perda de potência e controle de graves. Medida em ohms, a resistência é afetada por dois aspectos fundamentais: o comprimento do cabo e sua área de seção transversal (espessura). Quanto mais fino for um cabo, maior a resistência; assim como quanto mais longo, mais resistência terá. Isso, porém, não é uma regra.

Alguns fabricantes de high-end desenvolvem cabos flat e até transparentes de alta tecnologia capazes de combinar bandas altíssimas e baixa resistência. No caso dos canais frontais, recomenda-se que a espessura e o comprimento sejam os mesmos, o que garante valores de resistência iguais e evita qualquer diferença de fase e tempo (atraso). Caso isso não seja possível, fique tranquilo: a não ser em laboratório, dificilmente alguém notará diferenças entre um cabo de 2m e outro de 4m.

Para caixas surround e de som ambiente não há problemas em ter cabos com até 10m de diferença entre um canal e outro. Na verdade, se o cabo está dentro da especificação correta para a demanda de impedância e corrente, essas diferenças, se existirem, não afetam a percepção auditiva do ouvinte. O ideal é sempre manter um comprimento mínimo dos cabos, mas não curto demais a ponto de comprometer o acesso aos equipamentos. Já em longas distâncias cabos de maior bitola são sempre bem-vindos para reduzir os efeitos da resistência.

Em boa parte dos sistemas, no qual a distância entre os equipamentos chega a no máximo a 15m e a potência não ultrapassa 100W para caixas com impedância de 8 ohms, podem ser utilizados bitola a partir de 16AWG, ou seção de 2×1,30mm2. Ao contrário do que muitos imaginam, cabos extremamente grossos, abaixo de 11AWG (ou acima de 4mm2) para conexões curtas, de até 3m, como geralmente acontece nos canais frontais, na grande maioria dos casos não produz nenhum benefício audível, a menos que sejam produzidos com tecnologias diferenciadas e materiais com maior nível de pureza.

Material: cobre, ouro ou prata?

O cobre é o mais utilizado devido ao seu “baixo custo” e baixa resistência. Por outro lado, é um material sujeito à oxidação por isso precisa ser coberto e isolado. Quando exposto ao ar livre por muito tempo, o cobre reage à criação de óxido sobre a superfície. Esse problema cria uma barreira no cabo entre a caixa e o amplificador, o que enfraquece a conexão e limita a médio ou longo prazo o desempenho do sistema. A prata é um pouco menos resistivo do que o cobre; por isso muitos atribuem um possível reforço nas médias e altas frequências a este material.

O problema, claro, é o preço, que motiva a maior parte dos entusiastas a partir para um cabo grosso de cobre, em vez de um mais fino de prata. Já o ouro, por ser mais caro e imune à oxidação, é o melhor para ser utilizado sobre terminais e plugues de cobre ou latão. Em todos os metais usados na construção dos cabos há muitos níveis diferentes de pureza; quanto mais puro for o condutor usado, maior o custo por metro, a durabilidade e as propriedades elétricas para a transmissão do sinal.

As vantagens dos terminais

Os conhecidos terminais banana e espada podem ser acoplados aos cabos de caixas, por meio de solda, parafuso ou atarraxado, dependendo do fabricante. Adeptos do “faça você mesmo”, conseguem fazer esse tipo de montagem sem muito esforço. Esses acessórios protegem os filamentos do cabo contra a oxidação, além de evitar que os mesmos se rompam com o tempo, após sofrer o aperto (torque) dos bornes rosqueáveis no amplificador e nas caixas.

Outro benefício é a maior facilidade nas conexões, tendo em vista aquele usuário que gosta de trocar de caixas ou amplificador constantemente e precisa remover os equipamentos para limpeza em locais apertados. Embora “audiófilos xiitas” não aprovam o seu uso por achar que criam um ponto de resistência entre o amplificador e a caixa, quando terminais de boa qualidade são instalados corretamente garantem uma conexão elétrica sólida e confiável. E ainda reduz o risco de curto-circuito devido à possibilidade de encontro entre filamentos de cabos positivo e negativo.

Dicas

  • Ter um cabo com terminais bem montados (ou soldados) sob uma conexão apertada faz toda a diferença no desempenho do sistema, ao garantir o maior fluxo possível de sinais entre o amplificador e a caixa, sem perdas;
  • Limpar terminais dos cabos e bornes de caixas pelo menos duas vezes por ano. Para quem reside em regiões litorâneas a frequência deverá ser maior. O uso de produtos especiais, como o CorrosionX, ou anticorrosivos comuns encontrados em supermercados (sempre em pequena quantidade), álcool isopropílico e silicone em spray ajudam na integridade das conexões por muito mais tempo;
  • Se estiver pensando em melhorar significativamente o desempenho do sistema, cabos mais caros não fazem mágica. O posicionamento correto das caixas acústicas e o condicionamento acústico do ambiente, por exemplo, trazem resultados bem mais factíveis;

  • Adquira cabos com comprimento necessário para o sistema, reservando apenas um metro (ou um pouco mais) para o manuseio dos equipamentos. Meça com uma corda ou fio comum e evite cabos muito longos que geram resistência ôhmica desnecessária;
  • Invista em cabos cujos preços sejam condizentes com o padrão dos seus equipamentos. Na dúvida sobre que tipo, bitola e terminal de cabo usar, procure a assessoria de um profissional especializado.

* Artigo editado por Alex dos Santos. Para ver a matéria completa, faça o download da versão digital da revista HOME THEATER (edição nº 251).

FONTE: revista HOME THEATER & CASA DIGITAL

 

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