
Os fabricantes de TVs estão disputando uma corrida para ver quem produz imagens mais brilhantes. Comparando um modelo 2026 com outro de quatro ou cinco anos atrás, é fácil notar que o quesito “brilho” (ou “luminosidade”) ganhou maior importância, tanto nas propagandas quanto nas próprias especificações técnicas.
O ápice dessa corrida até agora é a nova geração de TVs das marcas chinesas: Hisense RGB MiniLED 116UX, de 116 polegadas, especificada em 8.000 nits (veja aqui); e TCL X11L (75”, 85” e 98”), exibida na última CES e que talvez seja lançada no Brasil este ano, com inacreditáveis 10.000 nits (confira).
Só para lembrar: nits são unidades de medição da intensidade luminosa. Um nit equivale a 1 candela por metro quadrado (cd/m²), sendo que candela é a representação escrita de uma vela acesa. Portanto, 10.000 nits produzem luz equivalente a 10.000 velas numa área de 1 metro quadrado.
Descontando o fato de que tais níveis de luz são impraticáveis (não existe fonte de sinal que emita sinais tão brilhantes – como já mostramos neste artigo), o que o consumidor deve se preocupar ao ver tais especificações é com a sua saúde. Assistir TV muito próximo à tela, especialmente uma dessas de altíssimo brilho, definitivamente não é recomendável.
Use suas telas com moderação

E o problema só se agrava quando a tela é grande, como hoje é a tendência do mercado. E mais ainda para quem costuma passar horas por dia à frente das telas. No caso da TV, o usuário deve pré-ajustar para um nível de brilho moderado. E seguir as regras de distanciamento da tela, como explicado neste link. Além disso, cuidado redobrado com a exposição habitual que já sofremos ao uso contínuo de smartphones, computadores e outros dispositivos de vídeo.
O maior perigo está na chamada “luz azul” (Blue Light), a parte mais agressiva do espectro luminoso que compõe o sinal emitido por leds. Como se sabe, o sinal de vídeo é composto das tries cores básicas (RGB = vermelho, verde e azul). Só que cada cor tem seu comprimento de onda, e o da porção azul é mais curto, ou seja, concentra mais energia.
Com a exposição contínua às telas, os efeitos da luz azul podem variar de pequenos desconfortos, ardência nos olhos até – acredite – catarata e degeneração macular; esta última é um processo natural de degradação da mácula, área central da retina, comum com o avanço da idade. Os raios azuis atravessam a córnea e atingem a retina, causando sensações como irritações e secura nos olhos.
Como os olhos reagem ao brilho da tela

O excesso de luz azul acelera essa degradação. Além disso, pode afetar o ritmo circadiano, que controla nossos padrões de sono. Considerando que muita gente utiliza telas por necessidade, trabalhando 8 ou mais horas por dia, dá para imaginar o estrago que isso pode causar.
O olho humano é mais sensível à radiação azul, porque ela inibe a produção de melatonina, aumentando a fadiga visual, afetando o ciclo circadiano e piorando a qualidade do sono. Os efeitos são mais severos para quem cultiva o nada saudável hábito de usar monitor em ambiente escuro. Quem faz isso e ainda não experimentou a sensação de olhos secos – a chamada “síndrome da lágrima seca” – pode esperar que ela virá daqui a alguns anos.
Mas, não é preciso entrar em pânico. Mais do que ninguém, os fabricantes de telas sabem de tudo isso. E vêm trabalhando para, pelo menos, amenizar os problemas. Nos últimos anos, tornou-se obrigatório nas TVs o recurso conhecido genericamente como eye-comfort, que basicamente tenta reduzir a incidência dos raios azuis nas telas.
A questão é que é difícil saber até que ponto isso é pra valer ou apenas marketing dos fabricantes, daí por que é tão importante o próprio usuário tomar seus cuidados. Veja na tabela como as principais marcas lidam com a luz azul:

Como controlar a luz azul

Os efeitos mais graves ocorrem nas TVs LCD, que utilizam painel luminoso interno (backlight). Nos modelos top de linha, os fabricantes acentuam a iluminação do painel, o que não acontece com as TVs OLED, em que não há backlight.
Até recentemente, isso era apontado como “deficiência” da tecnologia OLED, que devido a sua composição orgânica não suporta as altas temperaturas provocadas pela alta luminosidade. Com o tempo, isso acabou se tornando uma vantagem: excesso de brilho também significa maior consumo de energia e, por isso, TVs com mais nits foram proibidas na Europa anos atrás (aqui, os detalhes).
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