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Proteja seus olhos: por que a luz azul das telas é um perigo

18/07/2026

Por ORLANDO BARROZO

Os fabricantes de TVs estão disputando uma corrida para ver quem produz imagens mais brilhantes. Comparando um modelo 2026 com outro de quatro ou cinco anos atrás, é fácil notar que o quesito “brilho” (ou “luminosidade”) ganhou maior importância, tanto nas propagandas quanto nas próprias especificações técnicas.

O ápice dessa corrida até agora é a nova geração de TVs das marcas chinesas: Hisense RGB MiniLED 116UX, de 116 polegadas, especificada em 8.000 nits (veja aqui); e TCL X11L (75”, 85” e 98”), exibida na última CES e que talvez seja lançada no Brasil este ano, com inacreditáveis 10.000 nits (confira).

Só para lembrar: nits são unidades de medição da intensidade luminosa. Um nit equivale a 1 candela por metro quadrado (cd/m²), sendo que candela é a representação escrita de uma vela acesa. Portanto, 10.000 nits produzem luz equivalente a 10.000 velas numa área de 1 metro quadrado.

Descontando o fato de que tais níveis de luz são impraticáveis (não existe fonte de sinal que emita sinais tão brilhantes – como já mostramos neste artigo), o que o consumidor deve se preocupar ao ver tais especificações é com a sua saúde. Assistir TV muito próximo à tela, especialmente uma dessas de altíssimo brilho, definitivamente não é recomendável.

 

Use suas telas com moderação

E o problema só se agrava quando a tela é grande, como hoje é a tendência do mercado. E mais ainda para quem costuma passar horas por dia à frente das telas. No caso da TV, o usuário deve pré-ajustar para um nível de brilho moderado. E seguir as regras de distanciamento da tela, como explicado neste link. Além disso, cuidado redobrado com a exposição habitual que já sofremos ao uso contínuo de smartphones, computadores e outros dispositivos de vídeo.

O maior perigo está na chamada “luz azul” (Blue Light), a parte mais agressiva do espectro luminoso que compõe o sinal emitido por leds. Como se sabe, o sinal de vídeo é composto das tries cores básicas (RGB = vermelho, verde e azul). Só que cada cor tem seu comprimento de onda, e o da porção azul é mais curto, ou seja, concentra mais energia.

Com a exposição contínua às telas, os efeitos da luz azul podem variar de pequenos desconfortos, ardência nos olhos até – acredite – catarata e degeneração macular; esta última é um processo natural de degradação da mácula, área central da retina, comum com o avanço da idade. Os raios azuis atravessam a córnea e atingem a retina, causando sensações como irritações e secura nos olhos.

 

Como os olhos reagem ao brilho da tela

O excesso de luz azul acelera essa degradação. Além disso, pode afetar o ritmo circadiano, que controla nossos padrões de sono. Considerando que muita gente utiliza telas por necessidade, trabalhando 8 ou mais horas por dia, dá para imaginar o estrago que isso pode causar.

O olho humano é mais sensível à radiação azul, porque ela inibe a produção de melatonina, aumentando a fadiga visual, afetando o ciclo circadiano e piorando a qualidade do sono. Os efeitos são mais severos para quem cultiva o nada saudável hábito de usar monitor em ambiente escuro. Quem faz isso e ainda não experimentou a sensação de olhos secos – a chamada “síndrome da lágrima seca” – pode esperar que ela virá daqui a alguns anos.

Mas, não é preciso entrar em pânico. Mais do que ninguém, os fabricantes de telas sabem de tudo isso. E vêm trabalhando para, pelo menos, amenizar os problemas. Nos últimos anos, tornou-se obrigatório nas TVs o recurso conhecido genericamente como eye-comfort, que basicamente tenta reduzir a incidência dos raios azuis nas telas.

A questão é que é difícil saber até que ponto isso é pra valer ou apenas marketing dos fabricantes, daí por que é tão importante o próprio usuário tomar seus cuidados. Veja na tabela como as principais marcas lidam com a luz azul:

Como controlar a luz azul

Os efeitos mais graves ocorrem nas TVs LCD, que utilizam painel luminoso interno (backlight). Nos modelos top de linha, os fabricantes acentuam a iluminação do painel, o que não acontece com as TVs OLED, em que não há backlight.

Até recentemente, isso era apontado como “deficiência” da tecnologia OLED, que devido a sua composição orgânica não suporta as altas temperaturas provocadas pela alta luminosidade. Com o tempo, isso acabou se tornando uma vantagem: excesso de brilho também significa maior consumo de energia e, por isso, TVs com mais nits foram proibidas na Europa anos atrás (aqui, os detalhes).

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Veja também:

 Por que o excesso de brilho nas TVs pode ser um problema

 Samsung usa leds microscópicos em suas TVs Micro RGB

 SQD-MiniLED e a corrida atrás das cores perfeitas na TV

 Como a Hisense trabalha com a tecnologia RGB em TVs MiniLED 




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