Começam os testes da TV 3.0 no Brasil

Após receber sugestões de 21 empresas e entidades, o Fórum SBTVD anunciou esta semana que vai iniciar os testes de campo da TV 3.0, nome genérico do novo sistema brasileiro de TV Digital. Não há prazo definido para concluir os trabalhos (muito menos para o sistema entrar no ar), mas o Fórum trabalha com a ideia de fechar os testes ainda em 2021 para no ano que vem apresentar uma proposta formal ao governo. Em tempo: países como Japão, EUA e Coreia do Sul já estão utilizando padrões similares.

Os testes serão financiados pelo Ministério das Comunicações, através do CNPq, com a participação de aproximadamente 70 especialistas representando sete universidades, além dos técnicos do próprio Fórum SBTVD, que é formado por emissoras, operadoras e fabricantes de equipamentos. Em campo, serão analisadas todas as propostas apresentadas, com base em seis parâmetros previamente definidos.

Como conceito, a TV 3.0 em todos os países até agora se baseia em aplicativos, e não em canais de transmissão. Além da natural melhoria em sinal de áudio e vídeo, já incluindo as resolução 4K e 8K e o processamento de áudio imersivo (provavelmente Dolby Atmos), existe a preocupação com as chamadas aplicações, que definirão as interfaces de usuário e as formas como o sinal será distribuído. Os conteúdos chegarão aos usuários de forma integrada, não importando se a origem é uma emissora ou um provedor de streaming, por exemplo.

Outra preocupação é deixar abertas as portas para a criação de modelos de negócio que viabilizem comercialmente o novo padrão – algo que não ficou muito claro quando da transição da antiga TV analógica para a atual TV Digital. Por ser um sistema aberto e gratuito, o Fórum julga importante garantir a segmentação geográfica e por tipo de público, tornando a implantação atraente do ponto de vista publicitário.

Claro que muita água irá correr até a aprovação final de qual TV 3.0 teremos no Brasil – decisão que certamente não será tomada no atual governo. Finalizados os testes, o Fórum apresentará as alternativas ao Ministério; após a aprovação, serão elaboradas as normas do novo padrão, a serem seguidas por toda a cadeia produtiva. “Uma vez que as normas estejam publicadas pela ABNT e referenciadas na regulamentação do serviço de radiodifusão, as emissoras poderão ser autorizadas pelo governo a iniciar a operação”, explica Luiz Fausto, coordenador do Módulo Técnico do Fórum SBTVD.

Isso deve acontecer a partir de 2023 e – como na transição anterior, que começou em 2007 e ainda não foi concluída – levará alguns anos. Neste vídeo, Fausto explica o processo em detalhes.