No mundo das TVs super inteligentes

Por ORLANDO BARROZO

        Dentro de cada televisor existe hoje um computador. Essa não é uma simples frase de efeito. Ao longo da década que está terminando, os fabricantes foram inserindo nos TVs uma série de processadores que acionam softwares e algoritmos para melhorar a performance de áudio e vídeo. Em certo sentido, assistir televisão – com todos os periféricos que se pode conectar ao aparelho – se transformou numa nova experiência sensorial.

        Não é por acaso que especialistas em marketing digital vivem estudando as mudanças de comportamento do telespectador. Este deixou de ser passivo, apenas recebendo sons e imagens enviados pelas emissoras, e tornou-se parte de uma interação contínua. Esta começa assim que se aperta a tecla POWER do controle remoto e, cada vez mais, envolve outros dispositivos usados simultaneamente.

        Para que tudo isso aconteça, os TVs contam com Inteligência Artificial (IA, ou “AI” como preferem alguns fabricantes aproveitando a sigla em inglês). IA define um conjunto de tecnologias, e algumas delas você já leu ou ouviu por aí:

Machine learning, capacidade dos aparelhos “aprenderem” funções de outros;

Deep learning, em que o aparelho analisa dados em altíssima velocidade para se autoajustar;

Upscaling, replicação em tempo real dos quadros que formam a imagem para aumentar a resolução;

Algoritmos, softwares dedicados a determinadas funções, como analisar o tipo de conteúdo exibido e os hábitos dos usuários;

Sensores, minúsculos dispositivos que detectam a quantidade de luz (ou de ruído) na sala para ajustar o funcionamento do aparelho.

        Quase todos os TVs de tela grande (acima de 50”) hoje à venda trazem algum tipo de IA. Os melhores são os que utilizam processadores mais eficientes para dar conta de todos esses recursos. Os fabricantes investem mais nesses TVs porque, nos últimos anos, aumentou a procura por telas grandes, cujos preços justificam o investimento.  

        Junto com as telas grandes chegou também a resolução 4K, com quatro vezes mais pixels. E já temos também TVs 8K, que representam 16 vezes mais resolução do que um modelo Full-HD. Sem IA, essa evolução não seria possível. Somente processadores avançados conseguem dar conta de tantos elementos na formação das imagens.

        E os TVs 4K trouxeram também o conceito HDR (High Dynamic Range), que, embora seja mais antigo, só recentemente passou a ser utilizado pelos produtores de filmes e séries. HDR é um método sofisticado de captação das imagens, capaz de registrar muito mais nuances de luz e cores (mais detalhes aqui). São muito mais elementos a ser gravados e processados, resultando numa quantidade de dados ainda maior que no 4K convencional.

        Câmeras HDR existem há mais de dez anos, só que os processadores de então não conseguiam manipular todas essas nuances. Com IA, isso tornou-se possível. A tal ponto que surgiram variações aprimoradas de HDR, como Dolby Vision e HDR10+, que fazem a leitura (e a correção) dos dados em tempo real, enquanto você está assistindo ao filme.

        Outro aspecto em que IA se torna fundamental é a navegação. Os TVs atuais vêm com grande quantidade de aplicativos já instalados, além de outros que o usuário pode baixar. E há dezenas de canais de TV, mais o sinal de fontes externas como videogame, computador, DVD, Blu-ray player etc. Tudo isso precisa ser devidamente gerenciado para que o acesso seja rápido e amigável.

        De novo, é um processador que faz o serviço. Com a chegada dos assistentes de voz, exige-se ainda maior capacidade do processador. Os primeiros TVs com comando de voz eram terríveis: você falava e nada acontecia, o aparelho confundia sua voz com a de outra pessoa, estragando completamente a experiência. Na era do Alexa e do Assistente Google, isso pertence ao passado.

Não deixe de conferir o Guia de TVs 4K (atualizado)

        É por tudo isso que se costuma dizer que IA representa, sim, uma revolução no modo como se assiste TV. No slideshow, você pode conferir imagens que ilustram o conceito. Se, por exemplo, determinada cena é escura, o algoritmo do TV melhora o nível de contraste e você nem percebe. Se há muita luz na sala, ele aumenta o brilho da imagem. Se o ambiente está barulhento, acentua o volume dos diálogos para que você não fique sem entender a cena.

        É muita inteligência embutida no TV que você irá comprar daqui por diante.

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