Caixas Revel Concerta2: high-end mais acessível?

POR EQUIPE HOME THEATER & CASA DIGITAL*

Com vinte anos de existência, a Revel é uma das grifes do grupo americano Harman – agora de propriedade da Samsung –, ao lado de marcas como Lexicon, Mark Levinson e JBL Synthesis. Suas caixas acústicas têm ótima estrutura de gabinete, crossover e drivers capazes de grande equilíbrio tonal; e a linha Concerta2, considerada de entrada, parece não fugir dessa tradição. Recebemos do distribuidor no Brasil um conjunto formado pela torre F36, central (C25), bookshelf M16 e surround S16 (7.0, sem subwoofer).

Descrição

O gabinete é firme, inerte, com folhas em MDF e laterais ligeiramente curvas; o acabamento pode ser em branco ou preto brilhante. Com exceção da bookshelf M36 (preta), todas vieram na cor branca, que cria um vistoso contraste com os falantes escuros após remover sua tela frontal de fixadores magnéticos.

O cone do woofer é feito de cerâmica e alumínio (anodizado) de rigidez e leveza necessárias para um mínimo de distorção. O tweeter de alumínio 1” vem com o patenteado Acoustics Lens, pequena grade defletora para ampliar a dispersão horizontal e proteger o domo contra a “curiosidade infantil”.

Na torre F36, são três woofers de 6,5” comandados por um crossover de 2,5 vias. Pés de borracha já vêm fixados em cada caixa, embora se possa instalar spikes metálicos – inclusos na embalagem – para melhor dissipação de energia mecânica produzida pelos falantes.

A central C25 e seus duplos drivers de 5,25” contribuem com palco sonoro
abrangente, e apoios rosqueáveis para ajuste de inclinação e altura permitem boa flexibilidade no posicionamento. A bookshelf M16 é do mesmo tamanho da compacta S16, esta indicada para ser instalada diretamente na parede como surround.

Instalação (setup)

As caixas Concerta2 não podem ser bi-amplificadas. O par de terminais traseiros recebe conector banana, espada ou fio de maior diâmetro. A torre F36 deve ser mais bem abastecida, por amplificador ou receiver de boa potência que consiga fazer a caixa chegar até 33Hz sob variação máxima de 10dB.

Fizemos testes com ambos, e o desempenho das caixas com um power de 200W por canal foi notoriamente superior em graves ao de um receiver de 150Wx9. Em relação às outras caixas do conjunto Concerta2, cuja potência máxima é de 120W, não há muito com o que se preocupar.

Qualquer receiver de 100W pode dar conta do recado, apesar da M16 ser menos eficiente (86dB) e exigir um pouco mais de volume. A ausência do subwoofer acabou nos levando a conhecer melhor os graves das caixas. Configuramos o sistema para tocar discos de testes em estéreo e multicanal 7CH, com todas as caixas como LARGE.

O posicionamento da F36 é fator crucial para o bom desempenho. Seu duto de ar traseiro requer certo “respiro”, e não convém deixá-la presa em qualquer nicho de móvel ou canto de parede. Já prevendo esse tipo de situação nas residências modernas, a empresa adota um duto diferenciado.

O Constant Pressure Gradient Design reduz as chances de compressão e distorção dos graves mesmo com a saída de ar próxima à parede. Talvez por isso tivemos bons resultados em dinâmica com essas torres, inclusive a cerca de 50cm das paredes (traseira e lateral).

Avaliação

Embora anunciada pela Revel como uma linha de entrada, a Concerta2 revelou características muito semelhantes às da série Performa3. A primeira delas é a ótima resposta fora de eixo. Bastou ouvir a instrumental Lara´s Theme, com a big band de Harry James (FLAC), para o palco se abrir como se os músicos ali estivessem dividindo a sala.

O interessante foi que ainda não estávamos com a melhor posição organizada, pois o hotspot foi posteriormente decidido após o fino posicionamento das caixas (2,20m entre si) e o balanço correto de sinal no menu do processador. James, com seu trompete, surge sobre os dois canais em um plano horizontal amplo e natural. Mas é preciso tomar alguns cuidados.

Quando ouvimos Nature Boy, por Miles Davis (Muted Miles, FLAC), em multicanal, vibrafone e trompete elevaram os agudos cristalinos na medida em que aumentávamos o volume. Isso é muito bom. Porém em alguns momentos de forma exagerada em relação aos outros instrumentos. Para amenizar as reflexões no ambiente, costuma-se incluir quadros (sem vidro) ou paineis de absorção nas paredes.

Fizemos adaptações com as cortinas, no layout de móveis na sala e conseguimos bom equilíbrio, inclusive com o auxílio do software Audyssey embarcado em um receiver Integra que usávamos como referência. Poucas vezes ouvimos a clássica Bye Bye Blackbird, cantada por Patricia Barber (Nightclub, CD), com um vocal tão limpo e suave, como se fosse um sussurro.

Da mesma forma, a faixa Você, por Eliane Elias (Made in Brazil, WAV), através de médios claros e definidos. Em Polonaise from Eugene Onegin Op.24, de Tchaikovsky, por Erich Kunzel e a Cincinnati Pops Orchestra (SACD), destaque para a habilidade do conjunto em passar o timbre preciso de instrumentos de cordas e de sopros, além da performance contundente em passagens elevadas (transientes).

Essas qualidades demonstraram que a Concerta2 é uma linha versátil e recomendada também para estilos clássicos. Experimentamos Marcus Miller (The Sun Don´t Lie, FLAC), Stanley Clarke (At The Movies, FLAC) e Charles Mingus (Live At Montreux, Blu-ray) e notamos os graves da F36 menos robustos que a Performa F206.

Mesmo assim, suficientemente fortes e rápidos nas batidas de bateria e nos sintetizadores de Clarke e Miller, mostrando uma capacidade de dinâmica bastante peculiar de torres bem construídas. Apenas com Charles Mingus foi diferente, já que esperávamos o seu baixo acústico mais presente; ao menos foram toques rápidos e definidos.

Com o filme Sniper Americano (Blu-ray), conferimos o poder de envolvimento e ataque do conjunto com a trilha Dolby TrueHD. A central C25 trouxe diálogos claros e em bom tom do atirador de elite Chris Kyle (que não fala tão alto, diga-se) e de outros marines, inclusive em meio ao fogo cruzado com terroristas.

Por serem de radiação direta, a bookshelf M16 e a on-wall S16, obviamente não criaram a mesma ambiência de caixas bi radiais, como a Performa S206. Mas com os dois pares instalados na traseira da sala, as compactas da Revel tiveram papel decisivo na ampla cobertura dos efeitos surround.

Conclusão

Claro que um subwoofer fez falta durante os efeitos mais explosivos de baixas frequências; felizmente tanto a Revel quanto diversos fabricantes oferecem modelos condizentes com o padrão de construção dessas caixas. De qualquer forma, apesar de estar situada numa faixa de entrada da Revel, a segunda geração da linha Concerta reúne atributos suficientes para ser definida como “Affordable High End”.

FICHA TÉCNICA

MODELOF36C25M16S16
Tipo:torre 2,5 viascentral 2 viasbookshelf 2 viassurround 2 vias
Potência recomendada:30–200W40–120W50–120W30–120W
Sensibilidade:91dB89dB86dB90dB
Resposta mínima (-3dB):51Hz80Hz55Hz70Hz
Resposta mínima (-10dB):33Hz48Hz45Hz43Hz
Dimensões (L x A x P):24/112/30cm31/18/25cm21/37/27cm33/37/14cm

 

Todos os modelos possuem impedância de 6 ohms e resposta nas altas frequências de 20kHz (-3dB).

Garantia: 1 ano
Distribuidor: www.avgroup.com.br
Fabricante: www.revelspeakers.com
Preços: sob consulta

* Teste realizado pela equipe da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, sob coordenação de Alex dos Santos. Veja também a avaliação do conjunto de caixas Revel Performa3 na edição 209; para ver a edição digital, clique aqui.

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