
Em seu último balanço, divulgado na semana passada, a Netflix apresentou números financeiros impressionantes. Mas seu relatório sobre o 2º trimestre do ano apontou que o crescimento será menor daqui para frente. E já se fala numa mudança de estratégia para continuar atraindo assinantes.
A receita da Netflix no período Abril-Junho foi de US$ 12,56 bilhões, um crescimento de 13,4% sobre o mesmo período do ano passado. O lucro líquido também aumentou (11%), com a captação de 4,8 milhões de novos assinantes no período. Em todo o mundo, a empresa é líder no segmento de streaming, com 325 milhões de assinantes, contra cerca de 200 milhões da Prime Video (2ª colocada).
O problema é que esses números foram inferiores aos registrados no 1º trimestre (veja aqui), o que, segundo analistas de mercado, acendeu um alerta na empresa. Em seu relatório aos acionistas, a Netflix estima que o crescimento da receita neste trimestre (Julho-Setembro) deverá ser de 11,7%, uma queda que não acontecia desde 2023.
A empresa alega ter cortado custos nos últimos meses usando recursos de Inteligência Artificial inclusive na produção de seus filmes e séries. Mas o que preocupa os investidores é a queda de audiência de seus principais lançamentos este ano. Produções como As Quatro Estações do Ano, Avatar: A Lenda de Aang, Treta e Manual de Assassinato para Boas Garotas, que tinham sido bem recebidas de início, decepcionaram em suas segundas temporadas.
Enquanto isso, concorrentes com HBO (com Game of Thrones e White Lotus), Paramount+ (Terra da Máfia e Rancho Dutton) e Prime Video (Fallout e The Boys) conseguiram manter a audiência das temporadas anteriores.
Queda de mercado no Brasil
Não por acaso, o número de assinantes captados é hoje inferior ao registrado em 2024, quando os concorrentes começaram a crescer. Segundo o levantamento trimestral da consultoria JustWatch, a Netflix perdeu nada menos que 11 pontos percentuais de market-share no mercado brasileiro entre 2023 e 2026.
Três anos atrás, era líder com 29%, seguida por Prime Video (19%) e Disney+ (14%); no levantamento correspondente ao 2o. trimestre de 2026, caiu para 18%, atrás de Disney+ (19%) e Prime Video, que agora lidera com 21%. Essa queda tem a ver também com o crescimento de outras plataformas, como Paramount+ e Apple, enquanto HBO e Globoplay mantiveram suas posições (veja o gráfico).
Diante desse quadro, surgiram notícias recentes de que a Netflix pretende mudar sua estratégia de programação. Três alternativas estariam em estudo:
*Lançar canais temáticos gratuitos com transmissões ao vivo 24 por dias
*Investir mais em eventos de apelo popular como WWE (luta livre)
*Oferecer conteúdos curtos, no formato reels, para competir com YouTube e TikTok.
FONTE: Variety
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