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No streaming, um Homem Aranha como você nunca viu

03/06/2026

Por Paulo Gustavo Pereira*

SPIDER-NOIR (2026)
Gênero: policial (1 temporada, 8 episódios)
Onde assistir: Prime Video (trailer)

O produtor e roteirista Oren Uziel (de Mortal Kombat) inspirou-se nos clássicos filmes noir dos anos 1930 e 1940, e na série de quadrinhos Homem-Aranha Noir, de 2008. Mistura investigação policial, tragédia pessoal e estética expressionista, só que, diferente dos quadrinhos, não existe Peter Parker na história. O personagem central, interpretado por Nicolas Cage, é um velho investigador particular marcado por perdas emocionais, que tenta sobreviver em uma Nova York dominada pela corrupção e o crime organizado. No passado, ele atuava como Spider, um vigilante mascarado que abandonou sua identidade heroica após uma tragédia pessoal. Nas investigações, o personagem é forçado a confrontar novamente o passado e retomar o manto do herói. O grande diferencial de Spider-Noir está na linguagem visual. A série foi lançada em duas versões: uma totalmente em preto e branco — evocando diretamente o cinema clássico — e outra colorida, mas com tons altamente saturados e estilizados. É uma produção que respeita os conceitos do clássico super-herói, sem exageros. Para quem curte o gênero, uma curiosidade: a inspiração de Homem-Aranha Noir veio do personagem “Aranha Negra”, um justiceiro encapuzado da literatura pulp fiction, cujas aventuras foram adaptadas para dois seriados de ação em 1938 e 1941.

 

THE BOROUGHS (2026)
Gênero: terror (1 temporada, 8 episódios)
Onde assistir: Netflix (trailer)

Interessante mistura de ficção-científica, horror sobrenatural e drama humano, em um cenário pouco convencional: uma comunidade de aposentados no deserto. Produzida pelos irmãos Matt e Ross Duffer, responsáveis pelo fenômeno Stranger Things, a nova série faz uma sutil inversão de personagens: substitui os adolescentes por um grupo de idosos desgastados emocionalmente, no mesmo clima de mistério. Logo após chegar à comunidade, Sam descobre que forças misteriosas estão atacando os moradores e roubando justamente aquilo que eles possuem de mais precioso: o tempo de vida. Junto com seus novos amigos, ele passa a investigar túneis subterrâneos, criaturas desconhecidas e conspirações. O roteiro tenta transformar o medo da velhice em uma história fantástica e emocional, onde o horror não surge apenas das criaturas escondidas na escuridão, mas também da inevitável passagem da vida. Destaque para o ótimo elenco de veteranos. No papel de Sam está Alfred Molina, de Homem Aranha 2 (2004, HBO) e do recente Criaturas Extraordinariamente Brilhantes (2026, Netflix); com ele, Geena Davis, de GLOW (2017, Netflix); Alfre Woodard, de A Última Fronteira (2025, Apple TV+); e Bill Pullman, de The Sinner (2017, Netflix), entre outros.

 

O SEGREDO DE WIDOW’S BAY
(Widow’s Bay, 2026)
Gênero: comédia (1 temporada, 10 episódios)
Onde assistir: Apple TV+ (trailer)

Se você gostou de Arquivo X, Twin Peaks e Ruptura, prepare-se para conhecer uma pequena comunidade de uma ilha, numa trama parecida, mas com humor. O prefeito tenta criar um polo turístico para salvar a economia local, só que, infelizmente para ele, quando os turistas começam a chegar, a ilha de Widow’s Bay se transforma em algo sobrenatural. Parece que os moradores estavam certos quando diziam que o lugar carrega uma presença maligna! A qualidade da série está no equilíbrio entre horror e comédia. Embora haja cenas envolvendo criaturas misteriosas e violência sobrenatural, a história frequentemente utiliza humor desconfortável e diálogos absurdos para construir tensão. Para ajudar, problemas com a tecnologia criam momentos tensos (mas também divertidos), com a internet precária e uma população profundamente supersticiosa. O roteiro utiliza o ambiente de uma cidade amaldiçoada para discutir medo coletivo, decadência econômica e isolamento social. No papel do prefeito está Matthew Rhys, da série Perry Mason (2020, HBO)

 

FUTURO DESERTO
(Futuro Desierto, 2026)
Gênero: ficção científica (1 temporada, 6 episódios)
Onde assistir: Netflix (trailer)

Existe um grande debate hoje sobre o uso de Inteligência Artificial. É um debate exagerado, alegando que o uso de IA vai acabar com a criatividade e o pensamento. Só para deixar claro: o texto que você está lendo é da INA – Inteligência Natural do Autor! E são os mexicanos que trazem uma nova visão de IA, onde o drama psicológico dá o tom. A produção transforma temas contemporâneos como luto, solidão e dependência tecnológica num contexto intimista e inquietante. A história se passa por volta de 2029, com um psicólogo que se muda com os filhos para uma região isolada, após a morte da esposa. No novo ambiente, ele passa a conviver com Maria, androide criada para substituir emocionalmente a figura materna da família. Conforme a máquina começa a demonstrar sentimentos inesperados e comportamentos cada vez mais humanos, a relação entre tecnologia e afeto se torna perigosamente instável. Menos ação explosiva e mais drama psicológico, melancolia e reflexões sobre inteligência artificial.

 

SESSÃO DE TERAPIA (2012-2026)
Gênero: drama (6 temporadas, 195 episódios)
Onde assistir: Globoplay (trailer)

Quando o sucesso da série israelense BeTipul (2005, disponível no Google Play) levou a HBO a fazer uma versão americana batizada de Em Terapia (2008, Prime Video), o caminho estava aberto para outros países fazerem suas adaptações. A originalidade da versão brasileira é mostrar os atendimentos do terapeuta durante uma semana, com destaque para a sessão especial entre ele e seu supervisor, onde analisam os atendimentos. Exibida originalmente no canal GNT, nas primeiras três temporadas o terapeuta foi interpretado por Zécarlos Machado. A partir da 4ª Temporada, Selton Mello é o protagonista. Além de atuar, Selton também assumiu a direção da série, imprimindo um tom mais introspectivo e cinematográfico. Um dos principais diferenciais está justamente na força dos diálogos. O consultório torna-se um espaço de confronto emocional, onde pequenos gestos, silêncios e mudanças de expressão ganham enorme importância dramática. A 6ª Temporada, lançada em 2026, ampliou ainda mais esses debates ao incluir temas como envelhecimento, maternidade, pressão corporativa e o desgaste emocional da vida moderna. É um retrato sem retoques das angústias urbanas contemporâneas.

 

DEADWOOD (2004-2006)
Gênero: faroeste (3 temporadas, 36 episódios)
Onde assistir: Paramount+ (trailer)

Para quem gosta do gênero, esta não é uma série nova, mas chegou recentemente ao streaming. E vale muito a pena. É ambientada numa das cidades mais violentas do Velho Oeste, a Deadwood do título. Não é um faroeste tradicional, mas um drama político e social marcado por corrupção e disputas de poder, no período de expansão territorial dos Estados Unidos. A trama se passa por volta de 1870, mostrando o crescimento da cidade, de onde a lei e a ordem passam longe. É ali que chega o ex-homem da lei Bullock para enfrentar o poderoso Swearengen, dono do saloon e figura central do submundo local. Embora inicialmente apresentado como criminoso cruel e manipulador, Swearengen se revela um personagem complexo, simbolizando o pragmatismo brutal necessário para sobreviver naquele ambiente. O resultado é uma das melhores séries deste século. O produtor e roteirista David Milch também escreveu o filme Deadwood (2019, HBO), adaptando a história. Bullock é interpretado por Timothy Olyphant, de Justified (2010, Disney+); já o papel de Swearengen ficou para o inglês Ian McShane, o Winston da franquia John Wick (Netflix).

 




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