
Já ouviu Dolby Atmos? É fantástico, não? Mas, já lhe ocorreu que aquilo que você pensa ser áudio imersivo é apenas um, digamos, “surround melhorado”?
Pois é, usuários vêm reclamando dessa sensação frustrante quando tentam assistir, no streaming, a filmes identificados como “Dolby Atmos”. Há duas situações: ou o filme (ou série) não foi de fato codificado dessa forma, ou é a TV que não está decodificando o sinal corretamente.
No caso do streaming, é preciso levar em conta que o processamento do sinal (tanto áudio quanto vídeo) é dinâmico. Depende muito do fluxo de dados na rede no momento em que o usuário está assistindo. Pode começar com fluxo 100% e variar ao longo do filme. Isso acontece porque a capacidade das redes não é ilimitada. Quando muita gente acessa um conteúdo ao mesmo tempo, é inevitável que a plataforma tenha que gerenciar os fluxos.
Ao contrário do que ocorre na TV aberta, a quantidade de dados trafegando nos serviços de streaming precisa ser acomodada na infraestrutura de cada plataforma. Entre disponibilizar um conteúdo instável e permitir o travamento da transmissão, deixando o usuário sem ver nem ouvir nada, as plataformas sempre optam pela primeira alternativa.

Mal comparando, é o que acontece também quando se usa soundbar para reproduzir o som da TV. A maioria das soundbars, especialmente as de custo mais baixo, não tem capacidade de processar toda a carga de informações contidas no sinal de áudio imersivo nem no estéreo HiRes.
Elas de fato melhoram o som da TV. Mas acabam reduzindo o áudio imersivo a uma codificação PCM (Pulse Code Modulation), que é o básico do básico em áudio digital.

Com essas caixas, você até ouve alguns efeitos surround (quando a trilha está em 5.1), mas não os efeitos espaciais que preenchem todo o ambiente, fazendo os sons circularem até por cima de sua cabeça. Essa sensação de envolvimento desaparece ou, no mínimo, é bem reduzida num equipamento comum.
Dolby Atmos simulado: como funciona

Uma trilha produzida em Dolby Atmos contém elementos que não estão presentes no surround, muito menos no estéreo. Todos os sons ali são digitalizados para processamento como se fossem “objetos” (sound objects), que podem ser manipulados pelo diretor do filme ou por seu engenheiro de áudio.
O som dos pingos de chuva caindo no cenário pode ser um desses objetos. Ou o ruído dos pneus numa perseguição. Ou as vozes de pessoas conversando ao fundo num restaurante. Ou o ronco de um avião passando sobre a cena. Cada “objeto” desses pode ser colocado virtualmente em qualquer ponto do ambiente, de acordo com as intenções do diretor.
Isso vale também para os instrumentos de uma faixa musical e os ruídos típicos de um game. Seja filme, série, música ou game, todo conteúdo digital vem acompanhado dos chamados “metadados”, que são informações técnicas, em código, identificando como aquele conteúdo deve ser reproduzido.
A plataforma de streaming é responsável por inserir esses metadados, de forma que o aparelho receptor – seja uma TV, computador, caixa acústica, receiver, smartphone etc. – faça a decodificação e o processamento corretos.
Streaming: como o sinal é transmitido

Para permitir o streaming de conteúdos de áudio imersivo, as plataformas utilizam uma versão “simplificada” do Dolby Atmos, chamada Dolby Digital Plus (DD+), que utiliza a conexão HDMI ARC (2.0) entre TV e soundbar. Em DD+, o sinal de áudio é compactado, ou seja, perde-se parte dos detalhes da gravação original.

Assim, uma gravação feita em Dolby Atmos (ou DTS:X, o outro padrão de áudio imersivo) contém milhares de objetos, somando uma quantidade de dados muito maior que as gravações convencionais. Para processá-los, são necessários chips mais rápidos e potentes. E a arquitetura interna de uma soundbar é bem menos elaborado que a de um receiver, por exemplo.
Toda soundbar possui um mixer interno para identificar o conteúdo que recebe e encaminhá-lo aos outros estágios de reprodução: processamento, amplificação e destinação a cada canal de áudio. Se o sinal que chega é Dolby Atmos, mas o receptor tem limitações de processamento, o sinal é convertido para PCM, descartando os metadados de áudio imersivo.
Importante notar que algumas TVs possuem, sim, processador interno Dolby Atmos e, portanto, não dependem de uma soundbar (ou receiver) para reproduzir áudio imersivo. Só que os falantes das TVs são necessariamente compactos e estreitos, e isso limita muito sua capacidade de lidar com aquela enorme quantidade de “objetos sonoros”.
Soundbars: vantagens e desvantagens
O que algumas soundbars fazem para driblar essa deficiência é uma simulação de áudio imersivo. Utilizam softwares para “enganar” os ouvidos, criando artificialmente a sensação de envolvimento espacial na sala.
Para o consumidor, o problema é que isso raramente é informado pelo fabricante: só mesmo ouvindo a soundbar num ambiente adequado é que se consegue perceber a diferença.
5 sugestões de soundbars para escolher sem medo de errar |
Evidentemente, as soundbars oferecem vantagens como:
* Praticidade na instalação
* Facilidade de uso
* Custo mais baixo (comparado ao de um receiver com caixas separadas)
Soundbars são OK para aprimorar o som das TVs, que quase sempre é sofrível, mas sofrem de limitações como:
* Poucas (ou apenas uma) entradas HDMI
* Falantes compactos
* Excessiva dependência do som da TV
Para obter Dolby Atmos sem perdas, é necessário que a TV aceite o padrão Dolby TrueHD, que exige a conexão HDMI eARC (2.1), disponível somente em players Blu-ray e alguns multimídia. De qualquer forma, o consenso geral é de que Dolby Atmos em sua configuração mais conhecida (via DD+) atende a maioria dos consumidores.
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