Por Paulo Gustavo Pereira*

HOMEM EM CHAMAS
(Man on Fire, 2026)
Gênero: policial (1 temporada, 7 episódios)
Onde assistir: Netflix (trailer)
Em 2004, Denzel Washington estrelou o filme Chamas da Vingança (Disney+), em que um ex-agente da CIA caça traficantes que raptaram a filha de um empresário. Intenso e com situações violentas, o filme foi adaptado do livro de A.J. Quinnell publicado em 1980. É exatamente dessa fonte que vem a série criada por Kyle Killen, um suspense que expande a história agora ambientada no Rio de Janeiro. A série acompanha John Creasy (Yahya Abdul-Mateen II), um ex-mercenário profundamente marcado por traumas do passado, especialmente por uma missão fracassada que destruiu sua equipe. Com transtorno de estresse pós-traumático, ele aceita um trabalho no Brasil a pedido de um velho amigo. Tudo muda quando um atentado violento atinge esse amigo e sua família. A única sobrevivente é a filha adolescente dele, que passa a ser alvo de uma conspiração. Creasy então assume a missão de protegê-la a qualquer custo, mergulhando em uma jornada de vingança e sobrevivência. Além da ação intensa, a série aborda o lado emocional do Creasy, explorando temas como culpa, luto e busca por redenção. A série tem a participação especial da brasileira Alice Braga. No papel principal está o americano Yahya Abdul-Mateen II, já visto em Watchmen (2019, HBO) e Os Sete de Chicago (2020, Netflix).

PARADISE (2025-2026)
Gênero: suspense (2 temporadas, 16 episódios)
Onde assistir: Disney+ (trailer)
A 2ª Temporada (logo vem a 3ª) consolida a série como uma das produções mais ambiciosas dos últimos anos, combinando suspense com ficção científica e apostando em conflitos mais densos. A trama abandona parcialmente o ambiente claustrofóbico do bunker onde parte do governo americano conseguiu alojar os sobreviventes de uma catástrofe mundial. A história expande para o mundo exterior devastado, acompanhando o agente Xavier Collins (Sterling K. Brown) em uma jornada que mistura investigação e busca pessoal. Conhecemos mais detalhes sobre o que aconteceu com o planeta, além de sobreviventes cuja história é tão envolvente quanto os da primeira temporada. Entre elas está Annie Clay, que conseguiu sobreviver à catástrofe em Memphis, dentro do museu dedicado a Elvis Presley. Sua parceria com Xavier é determinante na história. Se a 1ª Temporada se estruturava como um suspense político, o segundo ano traz uma narrativa pós-apocalíptica com forte carga emocional. O produtor Dan Fogelman é o mesmo de This Is Us. No papel de Annie Clay, destaca-se Shailene Woodley, já vista na série Divergente (2014, Prime Video) e no filme Ferrari (2023, HBO).

SALVADOR (2026)
Gênero: drama policial (1 temporada, 8 episódios)
Onde assistir: Netfix (trailer)
Mais uma ótima produção espanhola que combina suspense com uma provocativa crítica social. No centro da trama está Salvador, um ex-policial marcado por múltiplas quedas. Tem histórico de erros pessoais, com vícios e fracassos, e tenta reconstruir a vida trabalhando como motorista de ambulância. Tudo muda radicalmente após uma tragédia envolvendo sua filha Milena, que se envolve com um grupo neonazista denominado White Souls. A série mergulha na intimidade do grupo extremista, expondo seus mecanismos de recrutamento, suas contradições internas e a infiltração em diferentes camadas da sociedade — inclusive em torcidas organizadas de futebol. Qualquer semelhança com o crime organizado brasileiro, é só coincidência!

THE COMEBACK – O RETORNO (2005-2026)
Gênero: comédia dramática (3 temporadas, 29 episódios)
Onde assistir: HBO Max (trailer)
Após o fim de Friends, muitos imaginavam que Lisa Kudrow seguiria o caminho previsível de trabalhar em outra comédia, explorando seu estilo que fez de Phoebe um dos personagens mais populares da televisão. Em vez disso, a atriz escolheu um projeto desconfortável, satírico e bastante amargo. Aqui ela é Valerie, uma comediante veterana que tenta reconstruir a carreira participando de um reality show sobre os bastidores de seu retorno à TV. O conceito parecia simples, mas escondia uma crítica feroz à indústria do entretenimento, à cultura da celebridade e ao modo como Hollywood trata mulheres que envelhecem diante das câmeras. Interpretada por Lisa com precisão quase dolorosa, Valerie é ao mesmo tempo engraçada, patética, insegura e profundamente humana. Ela vive tentando parecer simpática, moderna e relevante, enquanto é humilhada por produtores, ignorada por executivos e reduzida a caricaturas em programas de televisão. O desconforto é parte essencial da experiência da série. Em muitos momentos, o espectador ri e imediatamente se sente culpado por isso. Por isso, a 2ª Temporada só saiu, num tom ainda mais sombrio, em 2014. Agora na 3ª e última temporada, para surpresa geral, Valerie mergulha em temas polêmicos como exposição midiática, manipulação de imagem, cultura do cancelamento e exploração emocional na TV. É um dos trabalhos mais ousados da carreira da atriz.


