Apple, Google, Netflix e a “guerra dos aplicativos

Por Brian Fung*

Um número cada vez maior de empresas de software tenta driblar Apple e Google, líderes em lojas de aplicativos na, vendendo seus serviços diretamente aos consumidores. E a revolta está sendo liderada por empresas como a Netflix, que recentemente cortou uma fonte extremamente lucrativa para a Apple.

O acesso direto dos consumidores aos meios de pagamento através do próprio aplicativo é uma ameaça aos os gigantes da tecnologia, que há anos controlam os usuários de iPhone e Android. São as empresas de software que determinam como o consumidor descobre, baixa e paga pelos apps. Quando a Netflix decidiu que seus novos clientes não podem mais pagar as mensalidades pelo iTunes, irritou profundamente a Apple. Agora, os assinantes são direcionados para fazer pagamentos no próprio site da Netflix.

Apple pode perder meio bilhão de dólares

este ano por causa da Netflix 

Essa medida segue a do Spotify, outro grande serviço online que em 2016 acabou com o suporte a pagamentos de assinaturas. E, por causa do crescimento explosivo de seu videogame Fortnite, a editora digital Epic Games disse que pretende criar sua própria loja de aplicativos para jogos, numa tentativa de competir com as lojas on-line existentes. A empresa já oferece seu app Fortnite para aparelhos Android fora da Google Play Store.

A decisão da Netflix significa centenas de milhões de dólares a menos para a Apple. Pelos pagamentos dentro do aplicativo, a fabricantes do iPhone perde 30% da receita de assinaturas do primeiro ano e 15% da receita gerada pelos assinantes de longo prazo.

A Apple ganhou mais de US$ 257 milhões com a Netflix em 2018, de acordo a empresa de pesquisas Sensor Tower, de San Francisco. Como a Netflix não para de crescer no mundo inteiro, a dona do iTunes está perdendo apenas meio bilhão de dólares em 2019, considerando apenas usuários da Netflix. “Esse aplicativo é incrivelmente popular, mas com o tempo vai gerar cada vez menos dinheiro para a Apple”, diz Randy Nelson, especialista em mobile da Sensor Tower.

A Netflix informou em comunicado que os assinantes existentes ainda poderão usar o iTunes para pagar por suas assinaturas, se quiserem. “A Apple é um parceiro valioso, com quem nós trabalhamos bem de perto numa variedade de dispositivos, com iPhone e Apple TV”, diz o texto. As demais empresas citadas não quiseram fazer comentários.

Depois que a Spotify fez a transição, a Apple viu uma queda consistente em suas receitas vindas desse app – caindo de US$ 11 milhões por mês em abril de 2016 para apenas US$ 1,5 milhão em dezembro de 2018. Uma dinâmica semelhante, explica Nelson, afeta a Google Play Store, que não recebe mais pagamentos do Spotify desde 2014. A Netflix fez o mesmo em maio de 2018.

As mudanças do Spotify – e, em seguida, Netflix e Epic – ressalta o crescente domínio dessas empresas. Como maior provedor mundial de video streaming, a Netflix pode esnobar a plataforma da Apple sem sacrificar sua visibilidade para potenciais clientes. Mas um pequeno desenvolvedor precisa do posicionamento que a loja de aplicativos oferece nas plataformas iOS e Android.

O mercado não aceita mais os

altos lucros obtidos por Google e Apple

com a venda de aplicativos

O jogo Fortnite catapultou a Epic Games para uma posição de liderança. A empresa obteve lucro de US$ 3 bilhões em 2018, graças ao fenômeno cultural em que esse game se transformou. A experiência, de acordo com o executivo-chefe Tim Sweeney, ensinou a Epic a criar um rival para Play Store, App Store e Steam, este o líder do setor de jogos, equivalente ao iTunes.

A ideia de reduzir em 30% a receita de um desenvolvedor e repassar os 70% restantes foi um “avanço” nos primeiros dias da internet, disse Sweeney ao site Game Informer. Mas, à medida que a economia digital amadureceu e mais desenvolvedores começaram a oferecer softwares, as plataformas continuaram a extrair altos lucros mesmo reduzindo os custos de funcionamento de uma loja de apps.

A Epic Games informou que sua loja será mais amigável para os fabricantes de software, cortando apenas 12% de sua receita. A loja foi lançada no ano passado para Macs e PCs, e acaba de liberar seu app. Mas a Epic encontrou um obstáculo: a Apple Store proíbe aplicativos que servem de market-place para outros produtos, incluindo aplicativos.

Quem sai ganhando, por ora,

são os produtores de games.

O impasse significa que pode levar algum tempo até que a loja Epic Games esteja disponível para iPhones e iPads. E confirma como a Apple – famosa pelo controle sobre cada parte de seu ecossistema, desde os chips até os dispositivos e o sistema operacional – ainda mantém significativa de influência sobre a “rebelião” contra as lojas de apps.

Mesmo assim, editores de conteúdo massivo (Electronic Arts, Activision, Blizzard e Ubisoft) nos últimos anos construíram lojas digitais que buscam afastar os usuários de plataformas populares como a Steam. Sua estratégia é construir relacionamentos diretos com os jogadores e dar aos editores maior controle sobre sua propriedade intelectual.

“As economias de escala não beneficiaram os desenvolvedores”, disse Sweeney à Game Informer. Por enquanto, essas lojas de aplicativos baseadas em editores têm se concentrado na venda de jogos de PC e itens relacionados. Mas Brian Nowak, analista da Morgan Stanley, prevê que o modelo se espalhe para consoles e dispositivos móveis. Isso pode pressionar as lojas tradicionais de aplicativos a reduzir suas taxas – não apenas Apple e Google, mas também Microsoft e Sony.

*Extraído de uma reportagem do The Washington Post. Tradução: Enzo Mota. Para ver o original na íntegra, clique aqui.

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