Como funcionam os receivers de última geração

POR ALEX DOS SANTOSSe anos atrás você achava que instalar sete caixas acústicas e mais um subwoofer na sala seria exagero, o que dizer de um sistema dotado de 11 caixas, além de dois subwoofers? Essa é a proposta de fabricantes como Denon, Onkyo/Integra e Yamaha, que recentemente começaram a incrementar suas linhas com receivers de 9.2 e 11.2 canais.

São modelos recheados de recursos, conectividades e melhor construídos para oferecer alta potência em múltiplos canais. Mas nada disso seria possível se não houvesse processadores de áudio aptos a ampliar os efeitos sonoros em todas as caixas instaladas no sistema, criando uma experiência tridimensional ou até multidimensional, como no caso do novíssimo Dolby Atmos.

 

AJUSTES DE CANAIS

No menu da maioria dos receivers acima de 7.1 canais, área SPEAKER SETUP, é possível chavear a potência dos canais surround back aos frontais adicionais no alto (FRONT HEIGHT), frontais adicionais laterais (FRONT WIDE), ou em som ambiente (ZONE 2). Aparelhos de 9.1 e 11.1 canais podem “abastecer” caixas em Zone 3 e Zone 4. Modelos mais recentes trazem ainda saídas pré-amplificadas para 13.2 canais e a opção de alimentar caixas instaladas no teto, para o sistema Dolby Atmos.

Em alguns casos, essa mesma potência pode ser usada para complementar os canais frontais em uma conexão de biamplificação, com caixas equipadas com dois pares de terminais rosca. Antes, é preciso informar essa opção no menu do aparelho, para evitar danos às caixas. Felizmente, os softwares de calibragem automática existentes nos receivers já proporcionam boa regulagem em todos os canais, o que torna mais rápida e fácil todo o processo de configuração.


QUANTAS CAIXAS?

A instalação de um sistema de 9 ou 11 canais deve ser pensada de acordo com o tamanho da sala. Para um espaço em torno de 15m2, é mais viável um receiver 7.1 que permita alternar a potência para alimentar caixas na parede (HEIGHT/Dolby Pro Logic IIz, como no desenho acima) ou no teto (DOLBY ATMOS). Nos dois tipos de configuração, que se convencionou chamar de “5.1.2”, usuários encontram uma solução para ambientes onde a área traseira da sala é aberta ou vazada, o que poderia prejudicar a sensação de ambiência com as caixas surround back.

Com efeitos complementares partindo da área frontal da sala, mas dispersados acima da cabeça, num ângulo de 90º em relação à posição de audição, cria-se um envolvimento tridimensional interessante para filmes e, especialmente, games.


9.1 CANAIS

Receivers de 9.1 canais são recomendados para salas acima de 18m2. Neste caso, adiciona-se um par de caixas surround back e um par de frontais height, ou no teto (7.1.2). Ou ainda dois pares de caixas no teto para trabalhar junto com o sistema 5.1 convencional (5.1.4), em ângulos de 30º a 55º e 125º a 150º. Nos dois casos, os espectadores passam a ser envolvidos por um campo sonoro em 360º, que contribui para tornar os efeitos mais precisos e realistas, como ocorre no cinema. 11.1 CANAIS

Já quem possui uma sala acima de 30m2, ou pensa em montar um home theater dedicado, irá preferir um receiver, ou conjunto processador e amplificador, de 11.1 canais. São várias as configurações possíveis, incluindo sistema com surround back e quatro caixas no teto (7.1.4) ou 7.1 com frontais nas laterais (wide), num ângulo entre 50º e 70º, e apenas um par no teto (9.1.2).

Como se vê, a montagem de um sistema de áudio multidimensional prevê variadas formas de posicionamento de caixas. Recorrer à assessoria de um profissional especializado diminuem as chances de erro na instalação.


PROCESSADORES MAIS USADOS

Dolby Pro Logic IIz – Evolução do antigo Dolby Pro Logic, expande o sinal estéreo, 5.1 ou 7.1 para os canais front height. A intenção é criar um som mais espacial, com maior profundidade e dimensão, seja num sistema 7.1 ou 9.1.

DTS Neo:X – Sucessor do DTS Neo:6, trabalha de maneira semelhante ao DPL IIz, mas com maior número de canais, visando um efeito tridimensional. O diferencial está no uso de canais front wide, tornando-o compatível com receivers de 11.1 canais.

 

Dolby TrueHD – É o principal formato da Dolby encontrado nos discos Blu-ray. Graças à compressão de sinal sem perdas (lossless), oferece áudio 7.1 a 96kHz/24 bits ou 5.1 a 192kHz/24 bits, traduzido em melhor qualidade sonora.

Dolby Digital Plus – Codec mais usado serviços de streaming na internet, oferece áudio 7.1 canais. Pode ser reproduzido, inclusive, pela maioria dos TVs Smart e alguns portáteis – como players, tablets, smartphones.

DTS-HD – Pacote de decoders mais presente em receivers e players. O formato DTS-HD Master Audio é superior por oferecer qualidade HD (192/24) em 5.1 canais; enquanto o High-Resolution, que não é lossless, decodifica trilhas até 7.1 canais (96/24).

Auro-3D – Processamento que cria áudio tridimensional através de canais front height, ou um conjunto completo de caixas instaladas no teto, sobre os modelos convencionais. Inclui um segundo canal central, batizado de “a voz de Deus”, totalizando 10.1 canais. A experiência sonora imersiva com sons sobre as cabeças pode ocorrer a partir de sinais multicanal, estéreo e até mono. Disponível atualmente em modelos top das marcas Denon e Marantz.

Auro-3D – Dolby Atmos – Cria experiência multidimensional, por meio de sons de até 128 objetos simultâneos dispersados, inclusive, sobre a cabeça dos espetadores, seja o de um helicóptero, veículo em perseguição, tiros… Um sistema doméstico pode ter 34 canais de áudio – com 24 caixas no piso e 10 no teto. Para quem não quer instalar caixas in-wall, alguns fabricantes já possuem modelos com falante voltado para cima e módulos com a mesma característica, para serem acoplados às frontais ou surround. A ideia é usufruir de efeitos espaciais naturais e realistas após a reflexão no teto. O receiver Onkyo TX-NR737 (abaixo) foi um dos primeiros com Dolby Atmos a ser lançado no mercado brasileiro. A tecnologia Atmos 7.1 já é codificada no formato Dolby TrueHD em discos Blu-ray, por enquanto pouquíssimos, como Transformers – A Era da Extinção, Tartarugas Ninja, Gravidade e O Destino de Júpiter.

DTS:X – Também propicia experiência sonora em 360º com caixas no piso, no teto, ou com falantes direcionados para o teto, reproduzindo sons baseados em objetos individuais, como o Dolby Atmos. O formato base é o DTS-HD Master Audio, reconhecido por quase todos os players de Blu-ray. Em home theater, irá suportar inicialmente 11 caixas e dois subwoofers, podendo ser acomodados em até 32 locais diferentes. De acordo com a DTS, será possível maximizar o envolvimento surround não importa onde estejam as caixas. Ainda não há receivers nem discos com o novo processamento, mas já se sabe que os modelos top de linha Denon e Marantz serão os primeiros a receber atualizações e, posteriormente, Onkyo, Integra e Yamaha.