Comentamos aqui semana passada sobre a joint-venture Sony-TCL, mas há novidades no ranking mundial dos fabricantes de TVs. A consultoria Counterpoint Research, hoje a mais respeitada na área, divulgou números atualizados sobre as vendas das principais marcas.
A notícia é que o domínio da Samsung, que lidera há 20 anos (desde 2006), já não é tão folgado. Como se esperava (vejam este post), a TCL, com crescimento vertiginoso nos últimos cinco anos, se aproxima rapidamente. A diferença, em novembro último, era de apenas 1 ponto percentual (16% a 17%), fazendo supor que a chinesa logo assumirá a liderança.
Como mostra o gráfico acima, no final de 2024 o placar estava 18% a 13% para a Samsung. Mas, em 2019, esta detinha 31% do mercado global, contra apenas 10% da TCL; a LG era então a segunda marca mais vendida no mundo, com 16%. O que aconteceu no segmento de TVs desde 2020 foi algo semelhante ao que se tem visto, por exemplo, com os automóveis, os computadores, os smartphones e os sites de compra: uma avalanche difícil de controlar.
Dez anos atrás, ainda era possível afirmar que a qualidade das TVs coreanas superava em muito a das chinesas. Não mais. Como ouvi de um executivo meses atrás, a capacidade de produção das marcas chinesas é incomparável. Maior ainda, pelo que se vê, é a capacidade de vender a preços abaixo da concorrência.
Como explicar 20% de crescimento em 2025?
Difícil saber se as chinesas estão sacrificando suas margens de lucro, já que quase todas contam com forte apoio estatal. Mas isso também acontece na Coreia, não sei se com o mesmo peso. Segundo a Counterpoint, em 2025 as vendas da TCL subiram inacreditáveis 20%, enquanto as da Samsung caíram 3%; o mercado mundial como um todo teve retração de 1%.
Um dos fatores que explicam essa expansão é a forte penetração das marcas chinesas em mercados emergentes, como Oriente Médio, Leste da Europa e África. Aqui, aprendemos como é importante o papel do planejamento na indústria tecnológica. Essas são regiões fundamentais na estratégia do governo chinês, aproveitando-se do fato de que não são (ou não foram nos últimos anos) prioridade para fabricantes americanos e coreanos.
As chinesas TCL e Hisense foram também as primeiras que apostaram na tendência das telas grandes, ainda em 2022 (para lembrar). E creio que, no caso da TCL, vem ajudando muito também a parceria com o Google.

